A noite de ontem prometia e cumpriu.Fui ao inferno e voltei para ficar mais coerente com a minha idade, o meu estilo. Remédio, músicas, leituras, orações, choro, trash tv, trash food, pensamentos trash, internet lixo...dormi exausta. Acordei pronta. E, agora, 24 horas depois, passada uma jornada tranquila de traballho, depois de 7,5 km de um corrida num tempo razoável, num dia de bom cabelo e roupa correta, enxergo o ganho, ou melhor, o ponto.
O ponto final da nossa história. Um caso de amor que eu quis tanto. Uma ausência que me fez lembrar o tamanho do meu buraco. Como se tivessem -- quem? -- me dado o direito de por a cabeça para fora, para tomar um ar, respirar, inspirar profundamente. Tá explicado o estrago. nem parecia para tanto. Era bem aquele caso que gosto tanto de lembrar: eu, que vivia na urgência de largar o que não era fácil, tentava a certeza de que vida poderia sim ser bem pior sem a companhia dele?
Como já li: "às vezes é melhor uma rendição do que fugir de um amor que não foi vivido até o fim. não antecipe o término do que ainda não acabou, espere a relação chegar até a rapa, e aí sim." Eu penso assim e você já sabe e isso não adianta mais nada. O nosso, amorzinho, casinho, não tinha sequer começado. Que peninha. Que triste sair por aí catacando caquinhos. Equilibrando os pedacinhos nas mãos convoca todo mundo, meio sem-jeito -- sonhos, desejos, projetos, amigos, parentes -- e diz, olhe, não era bem isso que a gente tava pensando: fomos despejados.
Passou o susto e de nada adianta a minha vontade. Você não me quer. O pretexto da amizade, de se manter por perto era só mais um capricho desse seu jeito culpado -- sim -- mas irressistivelmente gentil. Sorte da sua nova namorada. Sorte de quem jamais quis alguma coisa com você. Sério, só lamento o tamanho da intimidade. Por ora, vou ficando. Bem. cada vez melhor. Acredite, não se preocupe. Sua alegria não me deixa constrangida. E, por favor, tente despir a ironia das minhas palavras: cuide bem de você.
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