sábado, 21 de maio de 2011

Feliz Aniversário para gente

Não quero brigar com você. Não lembro se alguma vez a gente chegou a se desentender seriamente. Lembro de pouca coisa em relação à você e talvez seja por isso que estou aqui. Uma frase, num livro maravilhoso, me trouxe você. Se bem que devem ser poucos os momentos em que não penso em você. Será que consigo me explicar. Lógico que você fez falta. E não me refiro às datas oficiais, formaturas, casamentos, aniversários, etc. Você também não estava lá nas banalidades da minha adolescência, no primeiro beijo, no primeiro amor, no primeiro porre, na primeira nota vermelha e em todas as minhas estreias na vida adulta.
Também não estou aqui para te culpar. Por mais que, às vezes, pense que você desejou partir tão cedo. Tão cedo para quem, cara-pálida. Tão cedo para quem ficou. Para quem cobriu a sua ausência com uma presença enorme. Você não estava aqui e eu te tornei gigante. Agora me vem a imagem da mãe do Woody Allen em "Crônicas de Nova York". Não tive o seu cheiro, o seu toque suave, os seus beijinhos, a atenção dos seus carinhos.
Em compensação tratei de carregá-lo comigo, enorme, irretocável, perfeito. Não dei ouvido aos seus deslizes, não me recordo de um momento de desamor ou sequer da sensação de ter sido deixada na mão. Como pode isso ser possível? Como pode ser tão clichê? Amanhã é véspera do meu aniversário. Vai ter festa. Quero correr cedo e preciso dormir. Antes disso, tenho que arrumar um lugar para você na minha vida. Uma saudade boa -- quero acreditar que isso exista, que me deixe seguir adiante. A gente sabe, eu travo, volta e meia, mas já fui longe e posso ir mais ainda. Eu não preciso de você. E não há motivo para cobrar do mundo, nem de você agora, o que eu imaginei que você me daria. Você não fez promessa alguma. Nunca. O seu legado está guardado. Ninguém tasca. Não há razão para esperar mais.

Só porque ADORO essa imagem

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Véspera de mudança

Hoje é minha última noite neste quarto. Foram pouco mais de dois anos. Minha renitente auto-piedade diria mais sofridos que felizes, será? Por alguns instantes, só consigo pensar na dor daqueles que não sabiam que estavam dormindo a sua última noite e em outros tantos que perderam quarto, sala, talher, toalha...tudo.
Matheus Cauê, de seis anos, não sai da minha cabeça. Depois de cantar num fôlego só um hit sertanejo, explica à repórter que a casa dele "explodiu de água". Ninguém me contou. Eu vi, eu ouvi essa declaração ene vezes, dezenas de repetições no material bruto, outras tantas na ilha de edição, na revisão. E, ainda, quando foi ao ar. "Minha casa explodiu de água".
Quis a vida, quis eu também que me tornasse uma daquelas pessoas que "já morou em tantas casas que nem se lembra mais". Alegres, inevitáveis, cobertas de expectativa ou tristeza, sempre tive o direito de fazer a minha mudança. De caminhão, na mala do carro, com pouco mais que a roupa do corpo, sabia que estava saindo e podia calcular o que esperar.
Talvez de tanto ouvir que a única coisa irremediável é a morte, tenho pensado mais nos sobreviventes dessa tragédia. Naqueles que perderam a vida e continuam vivos. Eu tenho tanta dificuldade em lidar com o imponderável. Posso espernear, engolir seco, ficar com olhos cheios d'água ou mesmo disfarçar bem. A verdade é uma só: não aceito quando faço tudo que está ao meu alcance e, pronto, o outro chega e carrega o destino para lá.
Que tal um desmoronamento? Uma explosão de água para voltar à imagem que descreve com precisão o que aconteceu semana passada em Teresópolis. Uma explosão. Um impacto capaz de dizimar a ordem e transformar tudo em terra arrasada. Não precisa ser fogo. Não precisa ser vento. O fenômeno se caracteriza pela imensa capacidade de destruição.
Pronto cheguei onde queria, fecho esse raciocínio e volto a falar de mim, a me colocar no centro como se eu tivesse grande importância. Não sei se aprendi uma lição. Ou melhor, se vou fixar o aprendizado. Diante do sofrimento de quem sobreviveu a um desastre, como aquele homem que sem ter o que fazer, devora livros infantis deitado no chão de um abrigo improvisado num estádio, não sei se me alegro com a minha vida.
Preciso de um novo vocabúlario. Quem sabe acertar o foco diante dos fatos...eu jurava que havia entrado aos pedaços nessa casa. Comecei o texto certa disso. Não era verdade. Amanhã vou sair daqui inteira, com a ajuda de um bocado de gente, apoiada nas minhas pernas com uma vaga noção do que me aguarda nos dias seguintes. Bem, hoje é a véspera do primeiro dia na casa nova. Melhor dormir.

domingo, 8 de maio de 2011

Minha mãe

Já disse e vou repetir a minha mãe é extraordinária. Ser filha dela talvez seja o meu maior motivo de felicidade e orgulho. É óbvio que tudo começou daí. Mas, ela foi além. Sem idealizar a maternidade ou esconder fraquezas ela se supera a todo instante. Um exemplo que me deixa constrangida de vergonha, que me obriga a querer e fazer muito. Mesmo que ela já não me cobre tanto, que ela insista que BASTA que eu seja feliz. Mãe, eu te amo. Muito obrigada por esse sentimento. Muito obrigada por jamais ter desistido da gente.

sábado, 7 de maio de 2011

Adoro aquelas postagens que leio nos murais de vários amigos: "não dou a ninguém o direito de me entristecer". Eu não consigo. E me entristeço ainda mais cada vez que permito que eu ou qualquer outra pessoa me faça mal. Os acontecimentos externos, a morte, a doença, as mais diversas modalidades de perdas -- e são tantas, já são mais do que suficiente para nos jogar lá no fundinho do poço. Mas não é tudo.
Há o nosso egoísmo, nosso medo, nossa falta de fé. E, claro, não vou negar, a terapia ajudou a neutralizar, blablablá, mas há o mal. Pessoas e situações que nos desestabilizam, que puxam para baixo a chavinha do humor.
Acho que não gosto de ser triste. Até existe uma certa familiaridade com o assunto. kkkk. Não sou fácil de animar, não há shopping, banquete ou convocação para reagir que me ajude. Aliás, odeio esse papo de "reage". Comigo, só amor, tempo e corrida. Sim, acorrida. Vou correr amanhã. Por isso, eu corro demais.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Eu simplesmente não estou afim de você

Você diz que sou pragmática porque insisto que não devemos pensar em romance? Ah, você não me conhece... Não tenho nada de pragmática. Se tivesse, toparia um relacionamento casual com você e tudo bem. Você sabe que eu te acho uma ótima companhia.
Acontece que sou muito romântica. De doer. E dói para caramba. Viver sem um amor, sem estar apaixonada, é o fim. Por isso me casei tantas vezes, por isso não tive filhos, não subi na vida, não comprei casa. O que conta, é o amor. Na versão mais romântica.
Tenho sorte na vida. Lembranças de um pai amoroso, uma mãe extraordinária, ótimos amigos, uma família melhor do que poderia escolher. Gosto do meu trabalho. E acredito que sou daquelas que vende saúde. Mas, como diz São Paulo, seu eu não tenho amor...
Chego a me sentir culpada quando bate a tristeza, sou engolida pelo vazio. Sem reação. Você não imagina o tanto que choro achando que jamais vou viver uma outra história de amor.
Um boa dose de pragmatismo me faria bem.