sábado, 26 de novembro de 2011

Mendonza

Tudo ia bem. O primeiro beijo devia acontecer dalí a uns 12, no máximo, 13 minutos. A conversa era sobre o verão e ele anunciou: "estou pensando em passar os próximos meses em Mendonza. O clima lá é ótimo nesta época do ano. Será que você não consegue uma licença? Quem sabe não dá pra montar um home office?". Ela sorriu e destacou as belezas da região. O beijo saiu dentro do tempo previsto na portaria do prédio. Ele queria subir, ela achou "melhor não". Nunca mais se viram. E ela se lembrou da história assim que pisou em Mendonza. Em ótima companhia.

sábado, 24 de setembro de 2011

Canalha


 Canalha. Hoje fui canalha. Logo cedo, recebi um torpedo perguntando sobre a cena teatral carioca. Quem assinava? Um nome corriqueiro na minha biografia. Não liguei a mensagem à pessoa. E, me sentindo a criatura mais educada do mundo, respondi de bate-e-pronto: "acho que você errou o destinatário". Passou, corri, malhei. Era a pessoa mais gentil e feliz entre todas. Na volta para casa, de bicicleta, lembrei quem era e percebi o quanto posso ser estúpida. Não tem volta.
 Não tem volta e me trouxe à tona uma história do último fim de semana. Vejam só, fiquei chateada porque não tive resposta do torpedo que mandei para alguém depois de vê-lo passar pela Lagoa. Ele, pelo menos, me deu o benefício da dúvida. Cricrici. Posso pirar e achar que ele não está nem aí para a portabilidade e mudou o número do celular. Para o episódio de hoje não há desculpa. Fui canalha
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Comprometida


  Conte comigo. Se você estiver precisando de ajuda para trabalho, saúde, ou qualquer coisa realmente importante. Espero que você saiba que pode me procurar. Jamais me negaria a estender a mão. Por gratidão, talvez. Por compaixão, certamente. Daí a você me mandar um email dizendo que "gostaria muito que eu aceitasse" o seu convite para uma festa de aniversário discreta-com-cerca-de-40-pessoas é um pouco demais.
 Ao terminar de ler a mensagem, a primeira reação foi lembrar o meu mantra durante o nosso casamento:  faça o esforço de se colocar no meu lugar e imagine qual seria o meu papel? Ao lado de quem eu me sentaria? Com quem conversaria? Com as suas amigas, aquelas cheias de duplo sentido e muitas cortinas-de-fumaça. Com seus amigos, que, para mim, jamais existiram?  Bobagem! Lugar? Papel? Nada disso importa mais. E já faz um bocado de tempo.
 Não pretendo negar a sua importância na minha vida. Nem para o bem, nem para o mal. Agora, se você não sabe, vou te contar, depurar tanto ressentimento foi libertador, mas duríssimo. Portanto, não pretendo fingir que me sinto confortável na sua presença.
 Continuo achando muito estranho o convite. Pensei em deixar sem resposta. Afinal, você me ensinou, senão há o que dizer,  melhor calar. Quebrei o silêncio. É a minha cara. Não gosto de ficar sem resposta. Você deve se lembrar disso.
 Boa sorte. É bom saber que você tem motivos para comemorar, que virei passado e, na sua avaliação, poderia  me juntar ao "Parabéns para você" para você. Só que não vai rolar.  Não posso esperar pela fatia do seu bolo de aniversário. Assumi um compromisso. Comigo. E também com quem cuidou de mim para que a dor virasse, outra vez, amor. Estou comprometida.

Estou pensando em você

 A solidão aparece e o pensamento é sempre o mesmo: ele. Aquele amor surrado, super amado, hiper-desgastado, apaixonado. Ela parece presa a ele. Ela se sente presa a ele. Acha que quer amar de novo, imagina que não vai conseguir. Procura, caça e arrasta para caverna. Repetida vezes. Há dias em que sonha com arrebatamentos. Outros, contenta-se com calmaria. Precisa preencher um vazio. Um buraco que, sabe, sempre existiu e não tem fundo mesmo. Mas que, por algum tempo, esteve esquecido. Quem pensa em falta, em problema, quando está apaixonado? Quando acredita viver um grande amor?
 Os Aborrecimentos formam fila durante a insônia. Entre um carneirinho e outro, surge o trabalho que podia ter ficado melhor, a falta de cuidado com o próximo, o desrespeito com a dieta, o prazo do texto, o vencimento das contas, o pedido de exame em que gaveta mesmo? --, o filho adiado, o pedido desculpas que ficou faltando, o dinheiro desperdiçado, a boa-ação que não passou de intenção, não, não e não. Pequenas e grandes mancadas escavadas a unha quando tudo já vai mesmo de mal a pior. Ideias inúteis. Falta de compaixão em degraus e lá no alto da pilha: ele!
http://www.youtube.com/watch?v=C6CwjOKttq0&list=PL2E49946F2FB87077&index=12

É a minha condição

 Você leva tudo muito a sério. Não viaja. Ouvi isso tantas vezes que estou convencida: pouca coisa mudou desde os tempos em que perguntava a minha mãe como se fazia para dar um tempo e parar de pensar. Eu já era uma chaleirinha.  Meditação, terapia,  pílulas de budismo, zilhões de técnicas de relaxamento, exercícios respiratórios, massagens, programações não sei lá das quantas, trabalho, quilômetros de corrida. Será que nada adiantou? Antes, eram os mais velhos. Agora, é a vez dos mais jovens mandarem: "desencana" -- aliás, ainda se diz "desencana"? 
 Mas aqui neste blog, me dê licença, eu vou encanar e pronto. Tenho certeza que, pelo menos, não me levo à sério. Rio de mim mesma e não sinto um pingo de vergonha de voltar atrás. Portanto, resolvi ampliar minha imagem e voltar a reduzi-la num abre e fecha de grãos...mudar de perspectiva, perder de vez o foco para, quem sabe, ajustá-lo. Eu  sinto que preciso me expor de alguma forma. Só quero  tomar cuidado para não posar de vítima ou inventora das maravilhas e mazelas do mundo pós-modernos. Não sou nem uma coisa, nem outra. Nem, peloamordedeus, quero discutir se algum dia fomos modernos, "Eu não sou diferente de ninguém, quase todo mundo faz assim: eu me viro bem melhor quando tá mais para bom que para ruim. Eu não quero causar impacto nem tampouco sensação..." (São Lulu Santos)
http://www.youtube.com/watch?v=rsMTr68ApOI

domingo, 4 de setembro de 2011

Você gosta de mim e seu marido também

 Olhe, não queira ser minha amiga. Gosto de verdade de você, te acho linda, gente fina, admiro a tua carreira e os seus filhos. Só não quero ser sua amiga. Sabe como é, romper o limite da cordialidade. Ir além dos "obas e olás" e daquela rasgação de seda nos vaivéns da vida. Não consigo passar daí, não seria espontâneo. Sei lá. Não me sinto confortável. O que acontece? Seu marido me canta. Chato, né? Eu acho. 
 Não te vejo como vítima. Nem consigo chamá-lo de canalha. Não sei o tipo de acordo que existe entre vocês. Nem estou aí para as escolhas de cada um. Tenho certeza que muita gente vive feliz num triângulo. Sou eu que não me sinto à vontade. Torço pela felicidade de vocês e acho que, olhando assim de fora, vocês formam uma linda família. E quem sou eu para tentar provar o contrário? Eu só não dou conta de ser sua amiga. 

sábado, 3 de setembro de 2011

3 de setembro, 30 anos depois

 Há 30 anos, num dia 3 de setembro, minha vida mudou para sempre. Eu havia chegado da Cultura e esperava a Rosinha servir o almoço. Estava com a camisa de tergal azul do São Vicente e parei para atender o telefone, que tocava no corredor entre a sala e copa. O começo do diálogo vem confuso à memória. Só lembro bem quando o homem do outro lado linha chamou a minha atenção: 'A notícia não é boa. Seu pai sofreu um acidente na Grota Funda: foi levado para um hospital. Parece que é grave."
 Era. Depois de trinta dias em coma, meu pai morreu. De lá para cá, negação, tristeza, luto, saudade. Venho levando como dá. Não publico esse texto para me fazer de vítima. A dor é minha. Quero mesmo deixar registrado que hoje tive um 3 de setembro feliz como tantos outros dias da minha vida. Graças à presença de pessoas queridas. Quem sabe essa lembrança não serve de consolo para outros ou me ajude, no futuro, a não esquecer. Tudo passa, o tempo ajuda...verdades incontestáveis. E, no me caso, o amor continua sendo o melhor remédio. Amém.

sábado, 4 de junho de 2011

Deu para entender?

 Para quem está só procurando um amor, não faltam conselhos: você tem que focar nisso para que as coisas aconteçam. O melhor e ficar quieto no seu canto porque o que é seu tá guardado... Foi assim com fulano. Deu certo com beltrano. Difícil. Difícil como a situação da amiga de um amigo meu. Um história que ele me contou sem maiores detalhes só porque sabe do meu interesse pelo tema relacionamentos.
 Casada e descasada mais de uma vez, ela, no momento, vive uma paixão platônica por um colega de trabalho casado, que a cobre de atenções. E ela se sente um lixo por não conseguir receber tanta gentileza sem erotizar. Até porque ele parece feliz no casamento. E, não é tudo, como diziam: anda chovendo na horta dela, que se comove com o vaivém de um outro cara que, apesar de aparentemente solteiro, dá uma de torradeira: esquenta e pula fora.
 E você acha que acabou? Que ela fica sempre no zero-a-zero? O meu amigo, deixa passar o ponto dele e vamos juntos até o meu para ele acrescentar mais um nó neste imbroglio: no frigir dos ovos quem anda transando com ela é um amigo gay lindíssimo. E juram que o casal tem uma liga!
 Deu para entender?

Guerra de sexos? Tô nem aí.

No final da minha adolescência, talvez quando começou a deixar o luto da morte do meu pai, a minha mãe me achou melhor me encaminhar para a terapia. Meus pais, por assumidamente se julgarem incapazes -- o que hoje acho uma bobagem -- e sempre com as melhores intenções costumavam terceirizar nossa educação: professores particulares, padres, médicos, terapeutas sempre estiveram na minha agenda.
Bem, vamos à terapia. Na primeira sessão, o psicólogo quis saber porque eu não transava com o meu namorado de mais de dois anos. Estranhei e fiquei sem saber o que dizer. Entre as várias hipóteses que ele me apresentou não me esqueço até hoje de uma "você acha que o caráter de uma mulher está vida sexual dela?". Não. Eu não achava e não mudei de ideia mais de vinte anos depois. Aliás, eu vou além, como gosto de provocar a minha melhor amiga: eu acredito que o gênero não tem nada a ver com a ética pessoal. Homens e mulheres somos igualmente canalhas, românticos, iludidos ou cornos.
Cada dia isso fica mais evidente nas história que adoro ouvir e naquelas que tenho oportunidade de viver. Por isso, volto a um tema recorrente: a vitimização das mulheres. Eu não aceito isso. Quem se vitimiza, se anula, se subestima. Quem se acha incapaz de uma vilania, das duas uma: ou não se conhece ou está mentindo.
Por outro lado, acredito também que pouca gente faça o outro sofrer de má fé. Quem me conhece sabe que, antes dessa campanha linda da Coca-Cola, eu já dizia que os bons são maioria. Por isso, seria melhor que todos nós, homens e mulheres fizessem como naquela canção 'assumi meus erros, me reinventei, virei a página. agora, eu em outra'. Sejam nas relação de casal, amizade ou profissionais.

sábado, 21 de maio de 2011

Feliz Aniversário para gente

Não quero brigar com você. Não lembro se alguma vez a gente chegou a se desentender seriamente. Lembro de pouca coisa em relação à você e talvez seja por isso que estou aqui. Uma frase, num livro maravilhoso, me trouxe você. Se bem que devem ser poucos os momentos em que não penso em você. Será que consigo me explicar. Lógico que você fez falta. E não me refiro às datas oficiais, formaturas, casamentos, aniversários, etc. Você também não estava lá nas banalidades da minha adolescência, no primeiro beijo, no primeiro amor, no primeiro porre, na primeira nota vermelha e em todas as minhas estreias na vida adulta.
Também não estou aqui para te culpar. Por mais que, às vezes, pense que você desejou partir tão cedo. Tão cedo para quem, cara-pálida. Tão cedo para quem ficou. Para quem cobriu a sua ausência com uma presença enorme. Você não estava aqui e eu te tornei gigante. Agora me vem a imagem da mãe do Woody Allen em "Crônicas de Nova York". Não tive o seu cheiro, o seu toque suave, os seus beijinhos, a atenção dos seus carinhos.
Em compensação tratei de carregá-lo comigo, enorme, irretocável, perfeito. Não dei ouvido aos seus deslizes, não me recordo de um momento de desamor ou sequer da sensação de ter sido deixada na mão. Como pode isso ser possível? Como pode ser tão clichê? Amanhã é véspera do meu aniversário. Vai ter festa. Quero correr cedo e preciso dormir. Antes disso, tenho que arrumar um lugar para você na minha vida. Uma saudade boa -- quero acreditar que isso exista, que me deixe seguir adiante. A gente sabe, eu travo, volta e meia, mas já fui longe e posso ir mais ainda. Eu não preciso de você. E não há motivo para cobrar do mundo, nem de você agora, o que eu imaginei que você me daria. Você não fez promessa alguma. Nunca. O seu legado está guardado. Ninguém tasca. Não há razão para esperar mais.

Só porque ADORO essa imagem

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Véspera de mudança

Hoje é minha última noite neste quarto. Foram pouco mais de dois anos. Minha renitente auto-piedade diria mais sofridos que felizes, será? Por alguns instantes, só consigo pensar na dor daqueles que não sabiam que estavam dormindo a sua última noite e em outros tantos que perderam quarto, sala, talher, toalha...tudo.
Matheus Cauê, de seis anos, não sai da minha cabeça. Depois de cantar num fôlego só um hit sertanejo, explica à repórter que a casa dele "explodiu de água". Ninguém me contou. Eu vi, eu ouvi essa declaração ene vezes, dezenas de repetições no material bruto, outras tantas na ilha de edição, na revisão. E, ainda, quando foi ao ar. "Minha casa explodiu de água".
Quis a vida, quis eu também que me tornasse uma daquelas pessoas que "já morou em tantas casas que nem se lembra mais". Alegres, inevitáveis, cobertas de expectativa ou tristeza, sempre tive o direito de fazer a minha mudança. De caminhão, na mala do carro, com pouco mais que a roupa do corpo, sabia que estava saindo e podia calcular o que esperar.
Talvez de tanto ouvir que a única coisa irremediável é a morte, tenho pensado mais nos sobreviventes dessa tragédia. Naqueles que perderam a vida e continuam vivos. Eu tenho tanta dificuldade em lidar com o imponderável. Posso espernear, engolir seco, ficar com olhos cheios d'água ou mesmo disfarçar bem. A verdade é uma só: não aceito quando faço tudo que está ao meu alcance e, pronto, o outro chega e carrega o destino para lá.
Que tal um desmoronamento? Uma explosão de água para voltar à imagem que descreve com precisão o que aconteceu semana passada em Teresópolis. Uma explosão. Um impacto capaz de dizimar a ordem e transformar tudo em terra arrasada. Não precisa ser fogo. Não precisa ser vento. O fenômeno se caracteriza pela imensa capacidade de destruição.
Pronto cheguei onde queria, fecho esse raciocínio e volto a falar de mim, a me colocar no centro como se eu tivesse grande importância. Não sei se aprendi uma lição. Ou melhor, se vou fixar o aprendizado. Diante do sofrimento de quem sobreviveu a um desastre, como aquele homem que sem ter o que fazer, devora livros infantis deitado no chão de um abrigo improvisado num estádio, não sei se me alegro com a minha vida.
Preciso de um novo vocabúlario. Quem sabe acertar o foco diante dos fatos...eu jurava que havia entrado aos pedaços nessa casa. Comecei o texto certa disso. Não era verdade. Amanhã vou sair daqui inteira, com a ajuda de um bocado de gente, apoiada nas minhas pernas com uma vaga noção do que me aguarda nos dias seguintes. Bem, hoje é a véspera do primeiro dia na casa nova. Melhor dormir.

domingo, 8 de maio de 2011

Minha mãe

Já disse e vou repetir a minha mãe é extraordinária. Ser filha dela talvez seja o meu maior motivo de felicidade e orgulho. É óbvio que tudo começou daí. Mas, ela foi além. Sem idealizar a maternidade ou esconder fraquezas ela se supera a todo instante. Um exemplo que me deixa constrangida de vergonha, que me obriga a querer e fazer muito. Mesmo que ela já não me cobre tanto, que ela insista que BASTA que eu seja feliz. Mãe, eu te amo. Muito obrigada por esse sentimento. Muito obrigada por jamais ter desistido da gente.

sábado, 7 de maio de 2011

Adoro aquelas postagens que leio nos murais de vários amigos: "não dou a ninguém o direito de me entristecer". Eu não consigo. E me entristeço ainda mais cada vez que permito que eu ou qualquer outra pessoa me faça mal. Os acontecimentos externos, a morte, a doença, as mais diversas modalidades de perdas -- e são tantas, já são mais do que suficiente para nos jogar lá no fundinho do poço. Mas não é tudo.
Há o nosso egoísmo, nosso medo, nossa falta de fé. E, claro, não vou negar, a terapia ajudou a neutralizar, blablablá, mas há o mal. Pessoas e situações que nos desestabilizam, que puxam para baixo a chavinha do humor.
Acho que não gosto de ser triste. Até existe uma certa familiaridade com o assunto. kkkk. Não sou fácil de animar, não há shopping, banquete ou convocação para reagir que me ajude. Aliás, odeio esse papo de "reage". Comigo, só amor, tempo e corrida. Sim, acorrida. Vou correr amanhã. Por isso, eu corro demais.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Eu simplesmente não estou afim de você

Você diz que sou pragmática porque insisto que não devemos pensar em romance? Ah, você não me conhece... Não tenho nada de pragmática. Se tivesse, toparia um relacionamento casual com você e tudo bem. Você sabe que eu te acho uma ótima companhia.
Acontece que sou muito romântica. De doer. E dói para caramba. Viver sem um amor, sem estar apaixonada, é o fim. Por isso me casei tantas vezes, por isso não tive filhos, não subi na vida, não comprei casa. O que conta, é o amor. Na versão mais romântica.
Tenho sorte na vida. Lembranças de um pai amoroso, uma mãe extraordinária, ótimos amigos, uma família melhor do que poderia escolher. Gosto do meu trabalho. E acredito que sou daquelas que vende saúde. Mas, como diz São Paulo, seu eu não tenho amor...
Chego a me sentir culpada quando bate a tristeza, sou engolida pelo vazio. Sem reação. Você não imagina o tanto que choro achando que jamais vou viver uma outra história de amor.
Um boa dose de pragmatismo me faria bem.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Biscoito Maizena e barriga vazia

Outra ressaca de biscoito Maizena. Racionalmente, nada faz sentido: jantei bem, comi uma barrinha de chocolate para aplacar a larica, quero manter o peso, tenho muito o que fazer, a gula não vai resolver meus problemas, posso devorar o pacote inteiro e o buraco vai continuar lá. Quanto mais como, mais miserável me sinto pela baixaria gastronômica. Eu tenho fome de quê? A resposta é tão simples. Tão simples e tão triste, que cheguei a choramingar com pena de mim. Eu me recuso a acreditar que há um rosto. Sinto saudade do amor. Não de um amor. Ninguém gosta de quem o arruina em pedaços. Quero me lembrar das outras vezes em que me senti assim - até para ter certeza que passa. Aprender a ser só e a só ser. Sem permitir que a espera me paralise.
Quem pode pedir um tempo às contas, ao trabalho, aos amigo, ao corpo e às doenças enquanto o amor não vem. O que fazer nesse compasso quando não se sabe viver fora do estado de encantamento. Ah, como já fiz bobagem por conta disso, quanto sofri e a quantos fiz sofrer por não desistir de amar por um instante que fosse. Só posso ser desse jeito? É meu destino alternar fartura e inanição. Quantos pacotes de biscoito ainda preciso devorar? Nem pergunto mais como encontrar o amor. Quero saber como aprender a esperar por ele. De barriga vazia.