terça-feira, 5 de abril de 2011

Biscoito Maizena e barriga vazia

Outra ressaca de biscoito Maizena. Racionalmente, nada faz sentido: jantei bem, comi uma barrinha de chocolate para aplacar a larica, quero manter o peso, tenho muito o que fazer, a gula não vai resolver meus problemas, posso devorar o pacote inteiro e o buraco vai continuar lá. Quanto mais como, mais miserável me sinto pela baixaria gastronômica. Eu tenho fome de quê? A resposta é tão simples. Tão simples e tão triste, que cheguei a choramingar com pena de mim. Eu me recuso a acreditar que há um rosto. Sinto saudade do amor. Não de um amor. Ninguém gosta de quem o arruina em pedaços. Quero me lembrar das outras vezes em que me senti assim - até para ter certeza que passa. Aprender a ser só e a só ser. Sem permitir que a espera me paralise.
Quem pode pedir um tempo às contas, ao trabalho, aos amigo, ao corpo e às doenças enquanto o amor não vem. O que fazer nesse compasso quando não se sabe viver fora do estado de encantamento. Ah, como já fiz bobagem por conta disso, quanto sofri e a quantos fiz sofrer por não desistir de amar por um instante que fosse. Só posso ser desse jeito? É meu destino alternar fartura e inanição. Quantos pacotes de biscoito ainda preciso devorar? Nem pergunto mais como encontrar o amor. Quero saber como aprender a esperar por ele. De barriga vazia.