Acho que foi durante um café que ele comentou que a gente só enxerga, de fato, aquilo que conhece. Justiça seja feita, ele não pretendia ser inédito e ela concordou porque a ideia era mesmo familiar. Mas, então, como explicar o encontro dos dois.
Ele se considera invisível, daqueles que são apresentados ene vezes às mesmíssimas pessoas e já se acostumaram a ouvir depois de um esbarrão: 'desculpe, eu não vi você'. Ela tem que concordar quando é chamada a atenção por não olhar para frente. Já teve que apresentar na terapia uma lista com as cores dos prédios da rua onde mora. Uma espécie de exercício de olhar e ver.
Ou seja, se ninguém o via e ela não prestava atenção em nada, como poderia acontecer os dois? Pensaram até nas conspirações astrais, nas epifanias do Caio Fernando Abreu, que ambos leram ainda nas primeiras edições. Mas já faz tanto tempo, CFA caiu na rede, e não dá para dizer, com todas as letras, que ainda acreditam. A dúvida continua. Entre um gole de café e outro de água sem gás. Nada de resposta.
Quem sabe se a gente inverter a história? Se a gente contar que o homem invisível encontrou a moça que olhava para baixo. Ou, então, vai ver que a moça olhava para baixo ajustando o foco para o invisível?
