Léo, como gosto de saber das coisas que vão na sua cabeça. Ouvir um pouco da tua tristeza, das chateações -- odeio também ficar sem treinar, dormir pouco ou me alimentar mal. Perco a linha quando minhas necessidades básicas não são atendidas. E faço um esforço para não me deixar tomar pelas amolações do dia-a-dia.
Imaginei que você estivesse atolado por causa do Festival. Mas essa doença do seu gato parece te mobilizar -- ou imobilizar -- ainda mais. E as crianças? Como estão reagindo? Dizem que essa experiência com bichos é muito importante para que elas se adaptem com os ciclos da vida. Ou, melhor, com O CICLO da vida. Um vez escrevi um texto associando a morte do meu cachorro atropelado -- o primeiro cadáver que vi na vida, com a morte do meu pai num acidente de trânsito e o meu medo de dirigir.
Já estou aqui me abrindo para você...Não tem jeito, Léo. A gente não aprende a lidar com as perdas. A gente se incomoda de perder a rotina -- o treino, o almoço, o sono, como vai dar conta de lidar com os afetos que não voltam mais?
Gostaria de poder te confortar. Como você sempre faz comigo. O máximo que posso dizer é, aquilo que você, já sabe: durma, alimente-se bem e lembre-se que passa,
Beijo,
“Escrevo porque as pessoas que amei já morreram. Escrevo porque quando era menina havia em mim muita força para amar, e agora esta força está morrendo. Eu não quero morrer." (Meu Michel, Amós Oz) Também escrevo de tanto ouvir que: ou eu conto as histórias, ou elas tomam conta de mim.
sábado, 26 de junho de 2010
Resposta a um amigo querido que nunca vi pessoalmente
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