Era. Depois de trinta dias em coma, meu pai morreu. De lá para cá, negação, tristeza, luto, saudade. Venho levando como dá. Não publico esse texto para me fazer de vítima. A dor é minha. Quero mesmo deixar registrado que hoje tive um 3 de setembro feliz como tantos outros dias da minha vida. Graças à presença de pessoas queridas. Quem sabe essa lembrança não serve de consolo para outros ou me ajude, no futuro, a não esquecer. Tudo passa, o tempo ajuda...verdades incontestáveis. E, no me caso, o amor continua sendo o melhor remédio. Amém.
“Escrevo porque as pessoas que amei já morreram. Escrevo porque quando era menina havia em mim muita força para amar, e agora esta força está morrendo. Eu não quero morrer." (Meu Michel, Amós Oz) Também escrevo de tanto ouvir que: ou eu conto as histórias, ou elas tomam conta de mim.
sábado, 3 de setembro de 2011
3 de setembro, 30 anos depois
Há 30 anos, num dia 3 de setembro, minha vida mudou para sempre. Eu havia chegado da Cultura e esperava a Rosinha servir o almoço. Estava com a camisa de tergal azul do São Vicente e parei para atender o telefone, que tocava no corredor entre a sala e copa. O começo do diálogo vem confuso à memória. Só lembro bem quando o homem do outro lado linha chamou a minha atenção: 'A notícia não é boa. Seu pai sofreu um acidente na Grota Funda: foi levado para um hospital. Parece que é grave."
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