Claro que aquela mulher simpática e em forma queria me contar um caso de amor mal-sucedido. Mesmo com pressa. Estou sempre com pressa e não gosto disso. Bem, apesar de atrasada -- vamos falar o português claro, eu parei de secar o cabelo e me virei para ela. Eu queria prestar atenção e deixar isso evidente. Ela gostou e prosseguiu: "estou tentando me recuperar do fim de um namoro. Não durou muito tempo. Menos de seis meses, mas foi muito gostoso, a gente se dava bem, se divertia e, pelo primeira vez, sentia que estava namorando de verdade. Até, então, tive casamentos ou casos, você me entende? " queria saber ela, que aparentava uma idade entre 35 e 40 anos.
Respondi com a cabeça que entendia. Eu não estava ali para falar."Mas, por que acabou, então, eu pensava já elencando os clichês do universo feminino de banca de revista e psicologia barata: ele tinha medo de se entregar, ela o assustava. " Felizmente, não repeti nenhuma dessas bobagens. Ela continuo: "ele me deu um pé na bunda. Depois de um dia dos namorados lindo, de uma viagem para praia de muito sexo, carinho e comida boa. Estranhei porque ele foi me buscar no trabalho. Ele sempre dizia que o meu escritório ficava no lugar mais contra-mão do mundo. Mal a gente entrou no carro, andou 5 minutos, ele disse que tinha uma coisa chata para me dizer. Eu tremi. Incrível, nesses momentos, sinto uma descarga de energia semelhante a um orgasmo. Preciso conversar com meu terapeuta sobre isso. "
Ela olhava para mim, enquanto terminava de se vestir, e mesmo assim parecia indiferente a qualquer coisa que eu dissesse ou mesmo um interjeição de solidariedade. Parecia que eu não estava ali. "Depois de anunciar a bomba", continuo ela, "ele desfiou os maiores elogios que já ouvi na minha vida: que eu era perfeita, linda, inteligente, carinhosa, divertida, que os amigos dele e o filhos me adoravam. Que a terapeuta dava força para a nossa história. Só que ele não me amava. Simples assim."
Nesse instante, eu havia frisado, sem saber o que dizer, sem saber o que fazer, procurava qualquer coisa na minha necessaire. O que se pode dizer numa hora dessas? Eu me lembrei da Stella Florence. Em uma de suas crônicas, ela recomenda que a gente não preste atenção em nada que venha antes de um "mas" em qualquer discurso, de um homem, da mãe, da melhor amiga ou do chefe.
Eu já estava morrendo de pena daquela moça. Mas a dor e a história não paravam ali. Dias depois, ela soube que ele havia voltado para a ex. Uma ex a quem ele chamava, no mínimo, de estelionatária, que o havia desancado na internet. E que a terapeuta - de novo (!!) - havia rotulado como uma droga, com o potencial destruir do álcool, etc. Ou, seja, pouco mais de uma semana, o ex-namorado já estava feliz e satisfeito ao lado de uma outra de quem ele só falara mal.
Ela não devia, admitiu. Mas foi cobrar satisfação. Ele perguntou quem era ela para julgar as contradições da vida dele. Ela não queria julgar. Só queria confirmar se era isso mesmo. "A revelação", ela tentava me explicar, "tirou um peso dos meus ombros". O coração continuou em frangalhos. "Afinal, tudo que viveram foi bom apenas para ela? Ela foi usada para ele dar um tempo e olhar o grande amor da vida dele em perspectiva?"
Vamos combinar, todo mundo usa todo mundo, pensei comigo. É fato e mesmo assim não consola ninguém. Ela está com a auto-estima no pé. Ela acaba de se arrumar e eu a acho tão bonita. Só que prefiro não dizer. Em certas situações, elogios fazem mal. O que dizer a uma mulher que tentou, investiu, queimou navios e não conquistou o amor de um homem? Cartas para esse blog. Eu a encontro, de vez em quando, no espelho da academia.
Essa historinha "ouvida" foi na verdade "vivida" por você, não é? A imagem que vê no espelho é a sua própria. Nunca confie num homem que fala mal da ex - é puro despeito. O sentimento continua lá. E não confie no que só fala bem: está vivendo um suplício.
ResponderExcluirAb
João
Só hoje vi esse comentário. Pena que vc não tenha deixado um contato. Adorei o seu alerta: Nunca confie num homem que fala mal da ex - é puro despeito. O sentimento continua lá. E não confie no que só fala bem: está vivendo um suplício."
ResponderExcluirO que importa se a situação foi vivida ou ouvida? Gosto de me calar e dar voz ao outro. Com certeza, já estive neste papel. E em todos os outros dessas histórias de triangulações, paixões, dores. Tem outro jeito de levar a vida? Eu não conheço. Muito obrigada pela visita.
Um beijo,