Ela já passava dos quarenta, tinha se casado duas vezes e, como São Paulo, mantinha a fé. Todos os dias pedia a Deus que lhe arrumasse um marido bom, que a amasse muito e ainda fosse rico. O ritual deu certo, dizia exultante para as colegas da hidroginástica. "Nós estamos juntos há dez anos. Claro que temos problemas, como todos os casais, mas nunca fui tão feliz num relacionamento."
Ao lado dela, uma senhora de mais de 70 prestava atenção por delicadeza e também por interesse. Ela andava muito preocupada com a filha caçula, que, na faixa dos quarenta, levava uma vida amorosa bastante atribulada. Por isso, aproveitou a oportunidade para perguntar:
"como vocês se conheceram?"
Parece que a outra estava mesmo esperando por isso. Redobrou o fôlego e respondeu que era corretora de imóveis e o marido a procurou para comprar uma casa. "Ele havia se separado. Estava arrasado e queria trocar o Rio pela Serra. Eu o recebi como mais um cliente, não pensei em nada. Mas, tive dificuldade para achar uma casa como que ele queria e acabamos ficando amigos. Depois, começamos a namorar. Hoje, eu vivo no mesmo imóvel que vendi."
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