sábado, 24 de julho de 2010

Essa fizeram questão de me contar...

"Vamos chamá-lo de imperador. Ele tinha nome de imperador e eu nunca dei tanto em cima de um homem. Não era exatamente o meu tipo e não parava de me olhar. Assim que teve oportunidade, pediu o telefone. Dei o número e ele ligou na hora para conferir. Depois, fui eu quem ligou zilhões de vezes. Pus os pingos nos is: eu queria transar com você. Não dava conta de dormir com tanto tesão.

Tratamos do assunto. O entusiasmo de ambos era esperado. O carinho, o cheiro da pele me surpreenderam. Já na conversa, olho no olho, o estranho foi liquidando o velho amor que arrastava correntes dentro de mim. Bastou o primeiro beijo para expulsar o passado, me deixar sem voz, sem histórias. A gente não tinha nada para conversar.
Eu ficaria a noite inteira no frio, beijando aquele homem cheiroso, grande, gostoso, forte, poderoso, com nome de imperador . Você não tem ideia do bem que me fez. Fiquei com vontade de retribuir. Quem sabe um dia, até quem sabe. Não precisava e não terminou em poesia."

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