segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Já que estamos falando da vida do Niemeyer

Uma das minhas primeiras matérias de capa do Segundo Caderno foi o lançamento da pedra fundamental do MAC, em Niterói. Saímos do Globo, fomos até escritório do Niemeyer em Copabacana. Depois de dar um chá-de-cadeira na equipe -- naquele tempo: fotógrafo, motorista e repórter, ele foi praticamente mudo durante o trajeto. E daí, eu era uma foca -- hoje, essa expressão faz tanto sentido, ia "dar" um
a primeira página?!!! Tinha lido toooda a pesquisa e ia no carro pensando em lead, título, etc. Ao chegar no terreno, a surpresa! Aquele senhor caladão, com cheiro de cigarrilha, se transformou: passou a andar rápido de um lado para o outro, a fazer perguntas sobre o acervo. Juro, uma empolgação que deixou a foca cansada.
Nem lembro se a matéria ficou boa. Quem me conhece sabe que não transformo todo mundo que morre em herói e, mais, evito ao máximo a síndrome de Estocolmo em relação ao entrevistado mesmo quando estou diante de um gênio. Tantos anos depois seria uma recaída daquelas. É só mesmo mais uma reflexão sobre o privilégio de se trabalhar no que se gosta. Talvez essa seja uma das fórmulas da longevidade. Só mais uma reflexão. Como não sei desenhar, escrevo.

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